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Como extrair dados de contas de energia para o Escopo 2 (GEE)

Quais campos tirar de cada conta de luz, armadilhas comuns (mês de referência, kWh × MWh, várias unidades) e como validar antes de aplicar o fator do SIN.

Equipe Colunar · Publicado em · 9 min de leitura

Para calcular o Escopo 2, você precisa de um número por unidade consumidora e por mês: o consumo de eletricidade em kWh. Esse número está na conta de luz. O trabalho real do inventário é tirar esse dado de dezenas ou centenas de faturas e organizá-lo numa planilha limpa, sem meses faltando e sem contar nada duas vezes.

Este artigo mostra quais campos extrair, as armadilhas que mais causam erro, o método manual, o método automatizado com playbook e como validar a base antes de aplicar o fator de emissão.

O fator em si não entra aqui: ele vem do fator médio do Sistema Interligado Nacional (SIN) publicado pelo MCTI para o ano do inventário. Este artigo resolve a parte anterior: ter os kWh certos.

O que é o Escopo 2 do inventário de GEE

O Escopo 2 cobre as emissões indiretas da energia que a empresa compra e consome: eletricidade e, quando houver, vapor, calor ou frio adquiridos de terceiros. O cálculo é consumo (kWh ou MWh) multiplicado por um fator de emissão. No Brasil, para energia da rede, o fator de referência é o do SIN, divulgado pelo MCTI. O GHG Protocol pede dois cálculos quando há contratos específicos: o baseado em localização (fator da rede) e o baseado em mercado (considera contratos no mercado livre e certificados de energia renovável, como o I-REC). Nos dois casos, o ponto de partida é o mesmo: os kWh de cada unidade, mês a mês.

Quais campos extrair de cada conta de energia

Nem tudo que está na fatura interessa ao inventário. Os campos abaixo são os que precisam sair de cada conta.

CampoOnde aparece na contaPor que importa
DistribuidoraCabeçalhoDefine o layout e ajuda a agrupar unidades por região
Unidade consumidora (UC) ou número da instalaçãoCabeçalho, perto do nome do titular e do endereçoÉ a chave para não misturar unidades e ligar a UC à filial
Período de leitura (leitura anterior e atual)Quadro de leitura ou mediçãoDefine a que mês o consumo pertence
Consumo em kWhQuadro de faturamento (item "Energia" ou "Consumo")É o dado do inventário
Grupo e modalidade tarifáriaCabeçalho ou dados da instalaçãoGrupo A tem consumo em ponta e fora de ponta, que precisam ser somados
Mercado: cativo ou livre (ACL)Indicado na fatura ou conhecido pelo contratoNo ACL, a fatura da distribuidora cobre o uso da rede; a energia vem de outro fornecedor

No grupo B (baixa tensão, típica de lojas e escritórios), o consumo aparece numa linha só. No grupo A (média e alta tensão), a fatura separa consumo em ponta e fora de ponta, e às vezes traz demanda e energia reativa. Some ponta e fora de ponta; ignore demanda (kW) e reativo (kvarh), que não são energia consumida.

Se a unidade está no mercado livre, a conta da distribuidora ainda traz o consumo medido em kWh; a energia é faturada pela comercializadora ou geradora. Guarde os dois documentos. Certificados I-REC vêm em documento separado, indicam MWh e período, e entram só no cálculo baseado em mercado, sem alterar o consumo.

Armadilhas que geram erro no Escopo 2

Mês de referência não é período de leitura

A conta com referência "MAR/2026" costuma cobrir um período de leitura como 12/02 a 13/03. Se você registra tudo pelo mês de referência, o ano fecha com um deslocamento de duas a três semanas. A regra prática: use o período de leitura e atribua o consumo ao mês em que o período termina (ou rateie por dias, se a metodologia exigir). O importante é escolher uma regra e aplicar em todas as contas.

Várias unidades na mesma fatura

Distribuidoras oferecem fatura agrupada para clientes com muitas instalações: uma capa com o total e, nas páginas seguintes, uma tabela com cada UC e seu consumo. Quem extrai só a capa registra um número gigante numa única unidade e perde a abertura por filial. Trate cada linha da tabela como um registro separado, com sua UC e seu período.

Conta com histórico de 12 meses

Muitas faturas trazem um gráfico ou tabela com o consumo dos últimos 12 ou 13 meses. É útil para recuperar um mês cuja conta se perdeu, mas é uma armadilha para extração automática: o software pode ler um valor do histórico como se fosse o consumo do mês. Na instrução de extração, deixe explícito que o consumo é o do período faturado.

PDF escaneado ou foto de celular

Contas antigas ou de unidades pequenas chegam como digitalização ou foto. Os dados estão lá, mas como imagem, o que exige OCR. Se a foto estiver torta ou cortada, um "8" pode virar "3". Confira com mais atenção os valores extraídos de imagens.

kWh × MWh

Contas do grupo B mostram kWh. Contratos no mercado livre, certificados I-REC e os fatores do SIN falam em MWh. Padronize a planilha em uma unidade só (kWh, que é a da conta) e converta uma única vez, no final. Um erro de mil vezes no meio da tabela é difícil de enxergar.

Método manual: planilha de controle por unidade e mês

Para poucas unidades, o método manual funciona. Monte uma planilha com uma linha por UC (número, nome da unidade, distribuidora), uma coluna por mês do ano-base e uma coluna de total anual. Abra cada conta, localize o consumo e o período de leitura, e preencha a célula. Marque com uma cor o que veio do histórico de outra conta, deixe em branco o que não foi encontrado e anote o nome do arquivo de origem.

O problema é a escala: 40 unidades e 12 meses são 480 contas. A um ou dois minutos por conta, são dias de trabalho, sem contar a revisão, e cada digitação é um ponto de erro.

Método automatizado: playbook de extração

Uma ferramenta de extração guiada por schema resolve a parte repetitiva: você define os campos uma vez e a ferramenta aplica a mesma leitura a todos os arquivos. No Colunar, isso é um playbook: lista de campos, tipo de cada um (texto, número, data), quais são obrigatórios e instruções de leitura em português. Há um modelo pronto para contas de energia e água.

Um playbook para Escopo 2 fica parecido com isto:

CampoTipoObrigatórioInstrução
distribuidoratextosimNome da empresa no cabeçalho
unidade_consumidoratextosimNúmero da UC ou da instalação; uma linha por UC em faturas agrupadas
mes_referenciatextonãoComo impresso, ex.: "MAR/2026"
leitura_iniciodatasimData da leitura anterior
leitura_fimdatasimData da leitura atual
consumo_kwhnúmerosimConsumo do período faturado, em kWh; no grupo A, somar ponta e fora de ponta; ignorar o histórico de 12 meses
grupo_tarifariotextonãoA ou B, com a modalidade se houver
mercadotextonão"cativo" ou "livre", quando indicado

As instruções são o que evita as armadilhas: "usar o período de leitura, não o mês da fatura", "somar ponta e fora de ponta", "não usar o histórico". Quando um layout confunde, uma skill com um exemplo revisado (arquivo e saída esperada) fixa a leitura para as próximas contas daquela distribuidora.

Aí você solta as contas em lote. Cada arquivo vira uma ou mais linhas na tabela, com a página de origem registrada ao lado do dado. Se um campo obrigatório não foi encontrado, o registro é marcado com o problema, e não descartado. No fim, exporta em Excel ou CSV e segue para a validação.

Como validar a base antes de aplicar o fator

Extrair não é o fim. Antes de multiplicar pelo fator, rode estas conferências na planilha:

  1. Cobertura por UC: cada unidade tem 12 períodos no ano-base? Liste os meses faltantes e busque as segundas vias.
  2. Continuidade dos períodos: a leitura final de um mês deve ser a inicial do seguinte. Buraco ou sobreposição indica conta faltando ou duplicada.
  3. Duplicidade: mesma UC, mesmo período, dois registros. Costuma vir de conta enviada duas vezes ou reemitida.
  4. Soma anual por unidade: compare com o ano anterior ou com o histórico de 12 meses da última conta. Diferenças grandes merecem uma olhada.
  5. Valores fora da curva: uma loja de 2.000 kWh por mês que aparece com 200.000 provavelmente teve um MWh lido como kWh, ou um valor do histórico capturado por engano.
  6. Lista de unidades: toda filial ativa tem UC na planilha? Sobrou UC de unidade fechada?

Com a base validada, a conta final é a soma dos kWh (convertidos para MWh) multiplicada pelo fator médio anual do SIN publicado pelo MCTI para o ano do inventário. Para o cálculo baseado em mercado, subtraia a energia coberta por contratos e certificados conforme a metodologia adotada. A lista completa de documentos dos três escopos está no checklist de documentos para o inventário de GEE.

Perguntas frequentes

Uso o mês de referência ou o período de leitura?

Use o período de leitura. O mês de referência é uma etiqueta de faturamento e costuma estar deslocado em relação ao consumo real. Defina uma regra (por exemplo, atribuir ao mês em que a leitura termina) e aplique em todas as unidades.

E se faltar a conta de um mês?

Peça a segunda via no site da distribuidora. Se não for possível, o histórico de 12 meses impresso nas contas seguintes costuma trazer o valor. Registre que o dado veio do histórico, para a auditoria.

O Colunar lê contas escaneadas?

Sim. O Colunar processa PDF nativo ou escaneado, imagens PNG e JPG (inclusive fotos de celular) e planilhas, com até 50 MB por arquivo e 200 páginas por PDF. Valores extraídos de imagens de baixa qualidade merecem conferência.

Se você tem uma pilha de contas de energia para passar para planilha, crie um playbook e teste com as contas de uma unidade. Comece grátis com 20 créditos, sem cartão, e veja como o Colunar se encaixa no seu fluxo de inventário de GEE.

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